Apresenta um panorama do sistema orçamentário brasileiro e aborda os mecanismos de destinação de recursos a programas voltados à criança e ao adolescente. Trata da participação da sociedade na fiscalização do uso desses recursos e menciona experiências e fontes relativas ao tema.
Fonte: Agência de Notícias dos Direitos da Infância. Julho de 2003, nº 54
Embora o artigo 227 da Constituição garanta prioridade absoluta às crianças e adolescentes, a área orçamentária, além de sofrer com o freqüente contingenciamento de verbas, necessita de uma maior transparência no que diz respeito à destinação e à aplicação dos recursos em âmbito federal, estadual e municipal.
Como saber se o recurso destinado a programas como os de merenda escolar, os de apoio a atividades esportivas para a infância, os da saúde de crianças e adolescentes e os de construção de creches está sendo efetivamente aplicado? Quais os caminhos que essa verba percorre até chegar à comunidade? De que maneira a mídia e a sociedade podem acompanhar a elaboração e a execução do orçamento nos três níveis de governo?
O Direto ao Assunto deste mês quer chamar a atenção dos jornalistas responsáveis pela cobertura da pauta social para a necessidade urgente de se conhecer e investigar esses caminhos.
Verba liberada não garante investimento Mesmo que a Constituição Federal estabeleça a criança e o adolescente como público prioritário das políticas públicas (art, 227) são freqüentes os contigenciamentos e remanejamentos nessa área. Ambas as medidas são previstas na Constituição e na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n° 101, de 4/5/2000). O governo, quando constata a inviabilidade de determinado gasto, determina aos ministérios, por meio de decreto, onde e quanto deve ser bloqueado. Para José Moroni, membro do colegiado do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), um dos problemas do Brasil é que o orçamento é autorizativo, não obrigatório. Com isso, embora o Legislativo autorize o uso da verba, não obriga o Executivo a aplicá-la.
Passo a passo do orçamento na esfera federal
*Os 10 setores da Comissão Mista de Orçamento são Poderes do Estado e Representação; Justiça e Defesa; Fazenda e Desenvolvimento; Agricultura e Desenvolvimento Agrário; Infra-estrutura; Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Esporte e Turismo; Saúde; Previdência e Assistência Social; Integração Nacional e Meio Ambiente; e Planejamento e Desenvolvimento Urbano. Os grifados em vermelho são fundamentais para a área da infância e adolescência.
Como a sociedade pode participar? A sociedade civil pode participar das discussões da LDO e da LOA e do monitoramento dos gastos orçamentários relativos à infância e adolescência por meio de entidades representativas do setor, como os Conselhos de Direitos (na esfera municipal e estadual), Fóruns Estaduais de Direitos, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e Fórum DCA, no âmbito federal. Através dessas instituições, pode propor emendas aos projetos, ter acesso à prestação de contas da União, dos estados e municípios. No entanto, para ter acesso ao processo orçamentário, não é obrigatório estar ligado a qualquer organização. Todo cidadão pode participar das audiências públicas realizadas durante a elaboração do PPA, da LDO e da LOA, previstas no artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Exemplo prático de participação da sociedade foi a primeira experiência de discussão popular do Plano Plurianual, que ocorreu em maio deste ano, em Brasília, com a realização do seminário O PPA no governo Lula: participação e controle social, promovido pelo Inesc. “Pela primeira vez, o governo teve disposição para abrir-se às propostas”, afirma Selene Peres, assessora para a área Fiscal, Política e Orçamentária do Instituto. O evento reuniu mais de 400 ONGs, acadêmicos, técnicos do governo e parlamentares e resultou no documento A Sociedade Civil e o Plano Plurianual 2004-2007, com reivindicações que apontam para a inserção e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para as populações mais excluídas e minorias, acessível no site www.inesc.org.br .
“A participação da sociedade é importante por duas questões. Uma é o sentido pedagógico, ou seja, o cidadão entender o que é gasto pelo governo. A outra questão é político-democrática. É o direito do cidadão interferir nos destinos de seu país além dos meios formais, constituídos no poder Legislativo”. José Antônio Moroni – membro do Colegiado de Gestão do Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
A experiência do Partidos dos Trabalhadores (PT) em outros estados, com o Orçamento Participativo – os cidadãos integram o processo de discussão do orçamento por meio de organizações sociais ou individualmente – também viabiliza canais de diálogo com a sociedade, mostrando a disponibilidade de participação. Em alguns estados e municípios em que vigora o Orçamento Participativo, a comunidade pode opinar sobre a execução de até 100% das verbas da área social.
O orçamento nos estados e municípios l Os governos estaduais e municipais, por meio das secretarias de planejamento, elaboram os projetos das Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO) dos estados e municípios, que devem ser enviados às Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais.
De acordo com a legislação os recursos destinados às políticas públicas de atenção à criança e ao adolescente deveriam estar no Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, nos três níveis (federal, estadual ou municipal). A próxima edição do Direto ao Assunto dará continuidade à discussão sobre o orçamento destinado à infância e juventude e abordará o funcionamento desses fundos.
Parlamentares e projetos de entidades civis acompanham os gastos e a aplicação dos recursos.
Contato: Ana Paula Alves de Lavos – Fundação Abrinq – (11) 3081 0699 - ramal 205
A Frente Parlamentar existe há dez anos. Revitalizada na atual legislatura, é composta por 117 deputados e 24 senadores e presidida pela senadora Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE). Uma das prioridades da Frente é garantir os recursos necessários aos programas voltados às novas gerações. Outra meta é a criação de frentes nos estados e nos municípios. Para José Fernando da Silva, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), “é cada vez maior a necessidade de frentes parlamentares pela infância e adolescência em todos os estados. É importante porque essas frentes possibilitam uma articulação com a sociedade nesse sentimento de cobrança”.
Contato: Frente Parlamentar – Gabinete da senadora Patrícia Saboya – (61) 311-2307
<<<<<<<<<<<<<<<<Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC José Antônio Moroni – membro do Colegiado de Gestão do Inesc
Selene Peres – Assessora de política fiscal e orçamentária do Inesc
(61) 212-0200
moroni@inesc.org.br
selenenunes@inesc.org.br
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) José Fernando da Silva – vice-presidente
(81) 3301-5246 / 3301-5241
fernando@cclf.org.br
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Olinda Ana Nery – presidente
(81) 3301-5241
ananery@cclf.org.br
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<Ubiratan Souza – Coordenador do Orçamento Participativo no Rio Grande do Sul (51) 3210-1300
ubiratan.souza@l.rs.gov.br
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<
dep.sigmaringaseixas@camara.gov.br
<<<<Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio Grande do Sul Maurício Vian – organizador
(51) 3268-2046
mauriciovian@terra.com.br
<<<<Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional Myrna Lopes Pereira
(61) 318-6937
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